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É pecado o cristão ouvir música secular, ou seja, não-evangélica?


O meio evangélico é cercado de “ísmos” do pensamento religioso. Um monte de crenças, superstições, achismos, recheados de dúvidas, perturbam a mente de quem se converte e abraça a nova fé, ou seja, se torna evangélico. Quase nunca há certeza, fundamento bíblico, e a sujeição a estas doutrinas é mais movida pelo medo do que propriamente uma suposta “libertação” ou “toque” divino. Recebo por dia muitos emails e mensagens pessoais pelo facebook, de irmãos me perguntando sobre o que é pecado, em diversas áreas da vida. Dúvidas que são frutos de pregações que elas ouviram em igrejas ou reuniões de oração que visitaram. Só pelo fato de existirem as milhares de perguntas que orbitam na mente de grande parte do povo evangélico, temos uma noção de como o medo é o principal motivo da submissão.

Duvida que o medo circule na mente da maioria na congregação sobre as proibições? Faça uma reunião em sua igreja, aborde o assunto pecado, e veja o enorme leque de questões que serão abordadas pela maioria dos irmãos, que farão, no mínimo, de 3 a 5 perguntas cada um. E mesmo nos esforçando para responder cada questão, a maioria ainda sai coçando a cabeça. Se houve uma “libertação” do “mundanismo”, ou um “toque do Senhor” na pessoa, porque há tantas dúvidas?! Alguns líderes até evitam reuniões deste tipo, para evitar “polêmicas”, pois sabem que ficarão constrangidos com perguntas que não tem respostas.

Dar liberdade ao povo para questionar sobre os dogmas (usos e costumes) quase sempre o pastor fica numa tremenda “saia justa” ao ser sabatinado por membros que estão cheios de perguntas bem formuladas, com lógica. Então vê-se que o fator não é “libertação” ou “o Senhor me tocou para agir assim”, mas uma nítida imposição. Prova disso é quando a denominação libera uma proibição antiga, e, aos poucos, sem anunciar publicamente, uma “doutrina” caduca. O assunto corre apenas em “boca miúda”. Nos últimos 10 anos a maioria das igrejas mais rigorosas já abriram mão de uma lista de proibições. Simplesmente não é mais pecado, e acabou.

“O conselho do Senhor permanece para sempre”. (Salmos 33:11)

Isto se dá pelo fato de inúmeros pregadores pentecostais esbravejarem em alguns púlpitos ditando regras para ser um crente “santo”. E a confusão na mente das pessoas surge porque o preletor foi, ao que tudo indica, “usado por Deus“, numa manifestação típica do chamado “reteté”, como muitos gostam, e com isso acreditam ser o sinal evidente de que o Senhor assinou embaixo de tudo o que foi pregado.

Todavia, o fato do pregador, pastor, missionário ou irmã que é um “vaso de fogo”, suar a camisa, sapatear, gritar, ter visões, não é um referencial de que absolutamente “tudo” que ela disser tenha aprovação divina. O ser humano é falho, e isso é levado em conta quando em sua mensagem (mesmo que ela tenha a melhor das intenções de santificação) ela ensinar uma coisa que não passa de um achismo, algo que ela aprendeu, e passa adiante, como regra de salvação.

“Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema”. (Gálatas 1:8)

Paulo adverte que, ainda que ELE MESMO ou até mesmo um anjo do céu pregar outro evangelho, que seja anátema – expulso do vosso meio. Ou seja, Paulo não atribui nem a ele uma obediência cega, sem base no Evangelho de Cristo. Por isso, é responsabilidade do cristão obediente, ler e estudar as Escrituras com afinco, afinal, ele vai estar obedecendo ao Senhor Jesus, que ordenou em João 5:39: “Examinai as Escrituras. Bom lembrar dos crentes bereanos, de Atos 17:11, em que tudo que Paulo e Silas pregavam, eles conferiam com as Escrituras, e assim aceitavam. E a bíblia diz que eles foram mais nobres que os de Tessalônica, porque receberam a palavra. “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim. (Atos 17:11)

A maioria destas “doutrinas” fogem aos preceitos bíblicos, mas são engolidos pelo povão, que lê muito pouco a bíblia, e se preocupam em ter uma vida santa, em ser uma bênção, em receber uma vitória. E o pregador, que pula e fala em línguas, finaliza a pregação dizendo que não se pode usar um determinado tipo de veste, porque é vaidade, e devemos “ser santos, como santo é o nosso Deus, e que “tudo vos é lícito, mas nem tudo convém”, e usa, além destes, outros versículos que ele achar melhor para associar aos dogmas de sua igreja.

Assim, com a sua demonstração de espiritualidade e versículos isolados (que servem para proibir um monte de coisas), ele ensina, doutrina aquele grupo de ouvintes, e leva-os a acreditar que determinado tipo de roupa, ou ouvir uma música secular (não evangélica) é pecado. E como você não pode contestar ou perguntar em uma pregação, a palavra do preletor fica como uma sentença final. A pessoa sai daquela reunião, ou culto, com uma ideia que lhe fora implantada. Não nasceu em seu coração. Ela não se “SENTIA MAL” antes. Tanto que ela leva um susto ao “descobrir” que um determinado tipo de coisa “é pecado”.

Se “sentir mal” ao quebrar determinado tipo de dogma, que a Bíblia nada trata a respeito, APÓS ouvir a mensagem condenatória, é fruto de uma lavagem cerebral. Um exemplo são o uso das camisas sociais. Até os anos 1970 alguns crentes se “sentiam mal” ao usar uma camisa com manga curta (no ombro), e que o correto seria a camisa fechada nos pulsos. Qual o pecado em mostrar os cotovelos e antebraços?! Não havia resposta. Mas era proibido! Hoje nem os pastores fecham mais as mangas das camisas sociais nos pulsos, e somente o fazem com o uso do paletó. Deus “tocou” em uma época, e depois retirou o “toque”? Não é mais pecado mostrar o restante do braço?? Complicado, não?!

O pregador vai embora da reunião com fama de “homem de Deus“, que abriu os olhos daqueles infelizes que estavam pecando sem saber. Mas se você for um bom observador, perceberá que muitas denominações evangélicas (não afirmo que sejam todas) arrogam para si o conhecimento de uma “verdadeira santidade” que “as outras não sabem”. E por isso as outras igrejas, que não andam na “doutrina”, segundo eles, são “igrejas da porta larga” ou “igrejas mundanistas”. 

“E dizem: Retira-te, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu. Estes são fumaça no meu nariz, um fogo que arde o dia todo”. (Isaías 65:5)

A nível de ilustração, como um mero exemplo, supomos que as doutrinas da “Igreja do Fogo que Sobe” seja totalmente diferente das doutrinas da “Igreja do Fogo que Desce”. Em uma, usar camisa roxa, pintar a unha, usar um cordão, coçar a cabeça com a mão esquerda, são pecados terríveis que você está cometendo e não sabia! Na outra, eles já não proíbem nada disso, mas ir à praia, jogar bola, usar uma camiseta ou bermuda (mesmo em casa), usar óculos escuros, usar perfume, são transgressões quase que imperdoáveis, com direito a punições rigorosas, como suspensão, exclusão, e pedir perdão ao ministério de joelhos se quiser estar de novo no rol de membros.

Em algumas igrejas a proibição é implantada de forma sutil, e não é cobrada do púlpito. Porém, no convívio interno entre os irmãos, o tratamento é diferente com aqueles que ainda não se adequaram aos dogmas. Se é sabido, por exemplo, que um determinado irmão ouve música não-evangélica, mesmo que esporadicamente, ele é descartado de oportunidades no microfone, olhado com canto de olho, e ouve um monte de indiretas sobre músicas, até ele confessar que parou de ouvir as “músicas do mundo“. Ou seja, por “livre e espontânea pressão” ele para de ouvir as músicas seculares no intuito de não ser desprezado do círculo social religioso, e não porque foi “liberto” ou o “Senhor o tocou” para ele não ouvir mais.

No íntimo ele ainda sente vontade de ouvir no youtube ou no rádio alguma música que marcou sua adolescência, juventude, mesmo que por alguns poucos minutos. Daí lhe restam 2 opções: Ou ele ouve em casa, sem nenhum irmão da igreja por perto, ou pára tudo de vez, seguindo à risca as normas da casa. O grande problema surge quando ele começa a sentir ódio no coração ao ver alguém ouvindo, esculachando os outros, pelo fato dele não poder ouvir. Sua retórica é inflamada de condenações, em tom rancoroso, transpirando sentenças para quem não concorda com ele. E infelizmente isso é o que mais acontece.

E o mais impressionante é que, em ambas igrejas acima citadas como exemplo, você pode cometer os pecados que a bíblia mais condena. Fofocas, mentiras, desonestidades, uso de má fé, traições, falsidades, nunca são levados à sério por muitas destas lideranças, e os membros que fazem tudo isso jamais são disciplinados. Pode até haver, dependendo da gravidade do problema, alguma reunião de membros, exortações, mas a maioria faz mesmo “vista grossa” para pecados desta natureza. É a religiosidade falando mais alto do que uma sincera busca por uma vida de santidade. “Coam um mosquito e engolem um camelo”. (Mateus 23:24) 

“Se alguém cuida ser religioso e não refreia a sua língua, engana o seu coração, a sua religião é vã”. (Tiago 1:26)

Não são todas as igrejas que beiram o escândalo ao Evangelho, mas se você é um cristão mais vivido, mais maduro, sabe que na realidade há obreiros que “puxam o tapete” de outros obreiros, ciúmes de púlpitos, invejas a cargos ministeriais, alguns armam verdadeiras “ciladas” contra outros colegas de ministério, bajulação ao líder com fins de crescimento nos cargos eclesiásticos, etc. Estes e outros pecados até piores são cometidos por pessoas que acham errado você jogar uma bola com seu filho no quintal de casa, ou ouvir uma música que não seja da categoria gospel. Ou seja, pune-se mais por quebra de estatuto interno do que por desobediência à Palavra de Deus.

Existem músicas seculares que eu não escuto. Percebo que não tem nada de bom. Paulo diz: “Examinai TUDO, retende o que é bom”. (1º Tessalonicenses 5:21). O problema de alguns evangélicos é porque ou ele é insípido, ou é ‘salgado’ demais. Ou é 8, ou é 80. Ou a igreja é saia lá no pé, ou, se não tiver “doutrinas”, para ele é a igreja onde “todo mundo anda pelado”. Explode em ira descontrolada esculachando todas as outras igrejas, e que somente a dele é a santificada. Quando nos equilibramos na dosagem de cada coisa, nos mantemos em santificação, sem fazer palhaçada, e o mundo nos taxar de alienados da cultura brasileira. Em nosso convívio social devemos explanar opiniões com personalidade própria, e não baseados no que alguém pregou.

Algumas músicas são agradáveis, assim como um bom churrasco, um bom doce, um lindo bolo na confeitaria, ou um delicioso sorvete num dia de calor. Sendo que estas coisas não me atrapalham da minha comunhão com Deus. É pecado comer doce? É pecado comer um bolo ou churrasco?! Óbvio que não. Muitos irmãos até brincam, comparando o churrasco a “entrar na carne”, em momentos de descontração, mas o assunto, em si, é mais sério do que muitos imaginam. A glutonaria é um pecado! Está na bíblia. Mas comer um churrasco de vez em quando não chega a tanto. Então vejamos: Comidas e guloseimas são do agrado da carne (no paladar), mas a igreja não proíbe, mesmo sabendo que alguns exageram. Porque a música secular, quando é bonita, e agrada também à carne (aos meus ouvidos) é proibida?!

A falta de ensino, não somente bíblico, mas também de se ter um caráter de cristão, leva muitos religiosos a levarem uma vida dupla. O contrassenso na vida de muitos irmãos que pregam uma coisa e vivem outra é quase que constante. Muitos evangélicos, não somente entoam corinhos na igreja, como também nos aconselham que devemos “entregar nossos problemas nas mãos do Senhor, pois ele cuida de nós, e é a nossa justiça. É um conselho muito bom. Porém, na prática, muitos dos que repetem este ensinamento não vivem nada disso. Em todo o tempo não param de falar, apontam, julgam, condenam. Em alguns casos, quando se trata de problemas eclesiásticos, movem processos contra cantores, igrejas, pastores, outros irmãos, etc. Dentro de casa fazem um verdadeiro inferno na vida de filhos, parentes, ou quem conviva próximo.

Há pessoas que não ouvem músicas “do mundo, mas adoram ouvir fofocas. São pessoas que enxergam pecado na vida de todas as outras pessoas, menos na delas. Veem pecado no pastor, no obreiro, nos jovens, nas irmãs, nos músicos, etc. Sabem da vida de vizinhos, colegas de trabalho, e como estão ocupados demais vigiando a vida alheia, não enxergam seus lares sendo destruídos. Não intercederem pelo próximo, muito pelo contrário, querem falar, e saber de mais fuxicos. Ao invés de tristeza e incentivo para a intercessão, há um certo prazer em saber que “fulano caiu”. Espalham com rapidez tudo o que souberem de sua vida. Agora me responda: Quem estará em mais santificação? Um cristão sincero, que busca a Deus, e que, sem vícios e exageros, uma vez ou outra ouve uma música secular, ou aquele irmão que diz detestar “música mundana”, e na primeira oportunidade ele te apunhala pelas costas?!

“Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica”. (Tiago 3:13-15)

E toda esta confusão é multiplicada por 100 se seus desafetos não estiverem dentro das ‘doutrinas’ que ele acha ser correto para o cristão. Com o tempo, os filhos vão crescendo, se tornando adolescentes, e como praticamente tudo é proibido, acabam por fugir de casa, se desviam da fé, e tomam verdadeiro repúdio pela igreja. E mesmo diante deste mar de confusões e intrigas que ele cria na família, segundo ele, se você ouvir músicas que não sejam evangélicas, você é um “crente mundano”, e precisa ser liberto “das coisas deste mundo“.

Em muitos crentes legalistas há uma enorme incoerência entre o discurso e a conduta. Ao vê-los pregar, nos parecem pessoas acima de qualquer suspeita, uma bênção nas mãos de Deus. Ao acompanhar de perto descobrimos que muitos deles não tem apenas meras falhas, mas falta de caráter, principalmente de caráter cristão. Ele não vive nada do que prega aos berros no microfone da igreja. É o conhecido “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Para o cristão isso jamais pode existir, pois além de sermos novas criaturas, somos imitadores de Cristo. Não podemos apenas mudar a coleção de cd’s e repertório musical, e ter um comportamento mundano em várias outras áreas de nossa vida.

Todavia não podemos generalizar. Não são todos que agem desta forma. Tenho amigos pastores e obreiros, que mesmo sendo defensores das doutrinas de suas igrejas, são pessoas sensatas, honestas, que respeitam as outras denominações, e até eles mesmo admitem que se deve ter uma certa moderação em querer “doutrinar” e julgar os outros. Isso porque já pesquisaram, e sabem da história de suas igrejas, das doutrinas antigas, ensinadas rigorosamente por mais de 30 anos, e que hoje não vigoram mais.
E não é porque a “igreja esfriou” ou porque é o “fim dos tempos”. Beber refrigerantes, usar shampoo, usar sandálias, andar de moto, comer pipoca, usar calça jeans, usar camisa de manga curta, não está associada ao fim da santidade na igreja, pois nem eles pregam mais nenhuma destas proibições. Porém nossos avós seguiram à risca, e ficaram sujeitos a disciplina, caso não obedecessem. Em algumas denominações, nos anos 1930, se o homem andasse sem o chapéu, era excluído de comunhão. Onde foram parar estas “doutrinas”? Não eram de Deus? E se eram, porque acabaram?? Se não eram de Deus, porque permaneceram por tanto tempo, suspendendo e excluindo irmãos? Uma pena ter se punido tanta gente. Ainda hoje esta história se repete em muitas igrejas, mas com outras proibições.

A palavra pecado origina-se do grego “hamartia” e significa errar o alvo. Se o meu alvo, que é Cristo, é desviado por alguma barreira, logo eu identifico o pecado. Uma música não evangélica te afasta da presença de Deus? Como? Porque?! É só explicar como isso acontece! Só porque se trata de uma “música do mundo“?! Responda: Você come comida “do mundo“? Usa roupas “do mundo“? Paletó e gravata são usados por políticos, executivos, funcionários de grandes empresas. Qual a diferença para o paletó e gravata dos cristãos? Muitas foram confeccionadas por estilistas e costureiros não-evangélicos. É uma vestimenta “do mundo“?!

Se você usa roupas sociais, no que você é “diferente do mundo“?? Há pessoas que colocam as melhores roupas, as mais caras, algumas justas demais (mesmo saias longas), para irem à igreja no domingo. Com que objetivo estas pessoas colocam estas roupas e vão ao culto?! Com um coração puro para adorar a Deus? Então é razoável concluir que, ser do mundo ou não, não está na aparência, na exteriorização das coisas, na música ou roupa ser feita por evangélicos ou não, mas naquilo que colocamos o nosso coração. “Onde estiver o seu tesouro, aí estará teu coração”. (Mateus 6:21)

Muitos chegam a dizer que se “sentem mal” ao ouvirem “músicas do mundo“, mas seus corações estão cheios de maldade, falsidade, que também são comportamentos “deste mundo“. Com o que estas pessoas teriam que se “sentir mal” em primeiro lugar? Acredito que o cristão verdadeiro, transformado, faça uma melhor seleção das músicas que ouve, mas qual a preocupação primordial de um cristão verdadeiramente convertido? Mudar sua interpretação sobre o que é música gospel e música do mundo, e a mudança interior ficar em segundo plano? 

Não é estranho haver atitudes desonestas por parte de pessoas que se auto intitulam tão espirituais, que acham errado ouvir música secular, e exigem tanta “santidade”? A palavra santificação significa separação, e não isolamento ou alienação. A verdade é que estas palavras são confundidas. Já percebeu que filho de crente quando se desvia comete todo tipo de pecado em dobro, se comportando pior que um incrédulo?! Na verdade ele saiu de uma prisão religiosa, sufocado por um julgo, quando deveria ser livre em Cristo Jesus

Pense agora com toda a sinceridade de seu coração: Como pode Deus tocar profundamente numa pessoa para ela não ouvir sequer uma música não-evangélica, a ponto dela dizer que “se sente mal” e esta mesma pessoa mentir, caluniar, falar mal dos outros, fazer fofocas?! Não é a doutrina bíblica (que nos ensina a não mentir, a não falar mal do próximo) muito mais importante que dogmas e doutrinas de igreja?! Como pode um mesmo Deus, em uma mesma pessoa, tocar no coração dela em uma área que a Bíblia nada diz a respeito, mas em outra área, das atitudes, do comportamento, do ódio, da desavença, não tocar?! Como pode uma pessoa ser tão “santa” quanto a musicalidade, e ter um coração cheio de inveja, de desejo de vingança?

Para muitos falta respeito, compreensão, oração e diálogo em família.
Para o povo de Deus, o povo comprado, lavado e remido pelo Sangue de Jesus, não existe uma regra moral coletiva. Ao jovem rico Jesus disse para ele vender tudo o que tinha e dar aos pobres, pois sabia que o coração dele estava na riqueza. (Mateus 19:16-23) Mas o Senhor não disse a mesma coisa para outros ricos. Se o seu coração estiver na riqueza, em carros, casas, músicas, seja o que for, aí estas coisas se transformam em pecado na sua vida. Agora, para o povo de Deus existe sim, as Sagradas Escrituras, e nela devemos nos embasar contra o pecado, e não no que pregadores, convenções, igrejas, acham que é certo ou errado.

Quanto a proibições que a bíblia nada trata diretamente, o apóstolo Paulo nos dá um excelente conselho em Romanos 14:14, quando nos diz: “Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda”. E no versículo 22 ainda acrescenta: “Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não condena a si mesmo naquilo que aprova”.

Os dogmas religiosos mudam com o tempo, mas a Palavra de Deus não muda. A bíblia condena o pecado da glutonaria. Você vê pregadores abordando este assunto? O que tem de irmãos bem acima do peso não é brincadeira. Mas ninguém fala nada, não reprovam, não censuram, tanto quanto ver um cristão ouvindo uma música secular. Ou seja, nossa comunidade evangélica contemporânea vê pecado onde a bíblia nada diz, mas a religião proíbe, e onde a bíblia tanto condena (fofocas, glutonarias, invejas) nada pregam a respeito. Todos os dias pessoas se afastam de igrejas ofendidas, feridas, magoadas, por disse-me-disse, e tudo fica por isso mesmo. E a Palavra nos alerta que “O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte”. (Provérbios 18:19)

O Senhor Jesus nos ensina: “Não é o que entra pela boca do homem que contamina o homem, mas o que sai dela”. (Mateus 15:11). Não é o que entra em nossos ouvidos que pode nos contaminar! O Senhor daria esta mesma resposta se a questão fosse a música, pois se tratava de um dogma, se podia ou não comer com as mãos por lavar, que era a doutrina deles na época. E os discípulos comeram sem lavar as mãos. Há muita superstição no meio evangélico. Podem não ser as mesmas dos que não são crentes, mas não deixam de ser superstições.

Atribui-se o pecado a fatores externos (lavar as mãos, ouvir uma música) e nunca aos propósitos que estão no pensamento, no íntimo. Por isso o Senhor completa: “Mas tudo o que sai da boca, vem do coração, e isto contamina o homem. Pois do coração procedem maus pensamentos, homicídios, adultérios, fornicações, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. Estas coisas são as que contaminam o homem; porém o comer sem lavar as mãos não o contamina”. (Mateus 15:18-20) E depois de todo este ensinamento maravilhoso, há pessoas que acham que uma música secular é que vai fazer a pessoa pecar!

E quando estamos em um shopping, consultório, e ali toca músicas não evangélicas, o que deveríamos fazer? Tapar os ouvidos?! Sair correndo dali? Não ouvimos do mesmo jeito?! Ainda que alguns contestem, afirmando que em lugares públicos não seria culpa do cristão, o fato é que o problema se relaciona a OUVIR e não ONDE ou de QUE MANEIRA. E como no texto já abordei anteriormente, reforço que o verdadeiro cristão sabe dosar, equilibrar, e que não é um viciado em músicas mundanas, e que também sabe selecionar boas músicas, separando daquelas com letras maliciosas, etc, assim como não pode ser dado a glutonaria.

A lista de dogmas de muitas de nossas igrejas nos anos 1920 a 1960 envergonha a igreja de hoje, e muitos até desconversam, dizendo desconhecedores de tais doutrinas. O perfume, o shampoo, o sabonete, o refrigerante, o chinelo, e outros usos e costumes que eram proibidos na época, hoje estão liberados, e não representam mais pecado nem para os mais legalistas.“Mas e daí?” – questionam alguns. “-Esquece isso….Isso foi lá em 1950, 60…. Prá que falar nisso hoje? Isso é passado! Naquela época o povo era muito ignorante!”

Hoje muitos condenam quem ouve “músicas do mundo“, ou seja, as músicas que não são evangélicas. Mesmo as mais simples, as mais suaves. Não me refiro as que tem letras maliciosas, mas as boas músicas. Se você ouve música não-evangélica, corre o risco de ser taxado de “crente-mundano”, como os que usavam perfume em 1950. Com toda certeza, essa é mais uma doutrina que terá seu fim daqui a uns 20 anos. Mas em 2034, se alguém disser que hoje era reprovado o cristão que ouvia músicas não-evangélicas, alguém comentará: “-Poxa, mas já não tinham TV em casa? Não ouviam essas músicas nos filmes e comerciais…?” E outro responderá: “-E daí??….Isso foi lá em 2014…Prá que falar nisso hoje? Isso é passado!…. Esquece isso…Naquela época o povo era muito ignorante!”
Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente”. (Hebreus 13:8)

“Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais tem, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne”. (Colossenses 2: 20-23)

“Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão”. (Salmo 32:9)

“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens, como o lavar dos jarros e dos copos; e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. (Marcos 7:1-8)

Denis de Oliveira é pastor da Assembleia de Deus, Ministério Poder de Deus, RJ.

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