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Setor ferroviário ganha reforço com novo centro de tecnologia em Anápolis

O projeto é fruto de parceria entre o Ministério da Infraestrutura e o governo de Goiás

entenda

Ferrovias foram deixadas de lado no governo JK | Foto: DIVULGAÇÃO/AGÊNCIA BRASIL

Capacitação técnica para a formação de engenheiros ferroviários, desenvolvimento de pesquisas que possam aprimorar o setor e um espaço de preservação da história dos trens brasileiros. Esses são os principais alicerces que sustentarão o futuro centro de excelência ferroviária de Anápolis, no Estado de Goiás. Embora ainda não tenha saído do papel, a proposta tem diretrizes que conduzem para a revolução de uma área desprezada no Brasil desde a década de 1950.

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O projeto é de paternidade do Ministério da Infraestrutura e do governo de Goiás, que tocarão as obras em parceria. “Vamos trazer o que houver de melhor para esse centro em Anápolis. A ideia é que a coordenação fique com o Instituto Militar de Engenharia”, anunciou o ministro Tarcísio de Freitas em uma live transmitida pelas redes sociais na semana passada. A estrutura que vai abrigar o centro já existe na cidade, mas as atividades desempenhadas hoje são para outros fins. “Investiremos pesado em pesquisa ferroviária”, prometeu o ministro.

Propostas

“Queremos produzir tecnologia, testar equipamentos e novas ferramentas da indústria, produzir normas técnicas e capacitar tecnólogos, engenheiros ferroviários e outros profissionais para atuarem nesse setor. Além de cuidar, é claro, da memória das ferrovias”, afirmou a Oeste Marcello da Costa, secretário nacional de Transportes Terrestres do Ministério da Infraestrutura (SNTT), ao ressaltar a importância do trabalho conjunto que será desempenhado com outras áreas da sociedade, como universidades e a iniciativa privada.

“Será muito importante a participação da academia nesse projeto, para dar o peso científico daquilo que será desenvolvido nesse setor, e do Instituto Militar de Engenharia, cujos estudos na área são avançados. Também vamos atrás de interlocução com a indústria, de modo que ela participe como orientadora das necessidades das nossas pesquisas científicas. Temos de entender as demandas que guiarão nosso trabalho”, explicou o secretário. “Vai ser um grande centro de pesquisa e história.”

O governo federal espera resolver a parte burocrática no segundo semestre deste ano, a fim de que as obras comecem no início de 2021. Conforme o secretário, a expectativa para o término da construção é em meados de dezembro do ano que vem. “A partir daí, talvez o local ainda não esteja operando 100%, mas já desempenhará algumas atividades”, observou o secretário. De acordo com ele, serão necessários investimentos de R$ 4 milhões anuais para a manutenção da obra. O dinheiro virá de contratos de concessão. “Faremos a roda girar”, garantiu.

Setor em frangalhos

Conforme noticiou Oeste, o setor ferroviário brasileiro tem sérios problemas: baixa densidade de trilhos (30 mil quilômetros), obras inacabadas e pesada burocracia estatal — fruto da negligência de vários governos. “A ferrovia nunca foi uma prioridade dos governantes brasileiros. A partir do governo JK, o rodoviarismo tomou conta dos orçamentos oficiais de capital”, explicou a Oeste o coordenador do FGV Transportes, Marcus Quintella. Segundo ele, o processo de abandono das ferrovias brasileiras acelerou-se em 1989.

“Naquele ano, houve um programa de erradicação de linhas rreas da Rede Ferroviária Federal (conhecida como RFFSA) e, logo depois, em 1996, começou o processo de arrendamento e concessão das ferrovias estatais”, contou. “Hoje, a nossa malha ferroviária está bem reduzida e os investimentos realizados foram basicamente das próprias concessionárias privadas. Ainda estamos muito longe do equilíbrio de nossa matriz de transporte de cargas, na qual a ferrovia deveria deter uma fatia significativa”, disse Quintella.

Conforme o especialista, o Brasil precisa de uma visão sistêmica dos transportes, na qual os modos rodoviário, ferroviário, aquaviário e aeroviário sejam complementares. E façam parte de um modelo de multimodalidade, com equilíbrio na matriz de transporte do país. “Precisamos de mais ferrovias de carga geral, commodities agrícolas, combustíveis, contêineres etc., devidamente integradas e que atinjam todo o país, principalmente as Regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste.”

Quintella vê com otimismo o futuro centro de excelência ferroviário. Contudo, avalia que serão necessários mantenedores permanentes. “Públicos e privados, sem ingerência político-partidária, visto que é um projeto de longo prazo, com viés técnico e econômico, cujos resultados futuros serão de grande valia para o sistema ferroviário brasileiro. Existe um centro tecnológico dessa natureza em Pueblo, no Estado do Colorado, nos Estados Unidos, que pode ser uma referência para o governo brasileiro”, concluiu.

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