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A Ineficiência Gloriosa da Oração

Será que já houve no mundo pressão maior para não orar?

Não só individualmente, mas também na vida da igreja, a pressão para não orar parece estar chegando a um apogeu. Estamos todos olhando o relógio. Nossas vidas sobrecarregadas e demasiadamente comprometidas nos pressionam a deitar mãos à obra nos cultos dominicais e reuniões, em reuniões de liderança e pequenos grupos. Quando passamos tempo juntos na presença de Deus? Será que esperamos juntos para que ele aja?

O Que Faremos a Seguir?

De modo não promissor, uma reunião de oração em Antioquia em Atos 13.1-3 se tornou um dos momentos mais importantes da história do mundo. Com orações e jejum, os líderes da igreja rogavam: Deus, queremos a tua provisão, não os nossos pequenos planos. Queremos a tua abundância, não nossos desejos mesquinhos. Queremos mais do que sabemos pedir, mais do que podemos pensar, mais do que poderíamos esperar, mais do que podemos sonhar. Nós queremos a ti, ó Deus. Não estamos satisfeitos com habilidades, experiência e com o que podemos planejar sozinhos e fazer sem ti. Queremos a ti e a tua direção. Não queremos nos apoiar em nosso próprio entendimento.

A igreja de Antioquia foi fundada por cristãos anônimos que ousaram compartilhar o evangelho com pessoas que falavam grego (Atos 11.20). Conversões em massa se seguiram (Atos 11.21, 24), a igreja de Jerusalém enviou Barnabé para ajudar no pandemônio e logo ele necessitou da ajuda de Paulo (Atos 11.25-26). “E, por todo um ano, se reuniram naquela igreja e ensinaram numerosa multidão” (Atos 11.26). O movimento tornou-se tão dinâmico que outros notaram e deram-lhe um nome. Em Antioquia “foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (Atos 11.26).

De fato, alimentados pelos ensinamentos de Paulo e Barnabé, estes cristãos logo se tornaram saudáveis ​​o suficiente para pensar além de sua própria localidade. Ouviram que haveria uma fome e “resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judeia… enviando-o aos presbíteros por intermédio de Barnabé e de Saulo” (Atos 11.29-30). Não só tinham saúde espiritual suficiente para cuidar dos outros, mas se tornaram seguros o suficiente para liberar a Barnabé e a Saulo. Após Barnabé e Saulo retornarem de sua jornada (Atos 12.25), os líderes começam a se perguntar: “E agora?”. Antioquia estava prosperando, sendo uma luz para os gentios. Antioquia agora tem uma superabundância de líderes, e então dois grandes líderes retornaram. Eles se perguntaram: “O que devemos fazer agora?”.

Por Que Jejuaram?

O que faríamos hoje em um momento como este? Talvez formássemos um comitê de planejamento ou contratássemos um consultor. Juntaríamos as mentes mais capazes em uma sala e criaríamos um plano. Mas o que os vemos fazerem em Antioquia? “Eles estavam servindo ao Senhor e jejuando” (Atos 13.2).

O Espírito Santo está prestes a falar com eles, e quando isto acontece, não é porque eles estão seguindo sua rotina normal. Eles estavam jejuando por um motivo específico. O jejum santo sempre tem um propósito. Eles estavam buscando a Deus em medida especial. O jejum é uma medida incomum, que expressa uma necessidade especial por Deus. Não se “jejua” por acaso ou sem propósito. Isso só se chama passar fome. O jejum tem um propósito.

Qual era esta razão em Atos 13? O que sabemos no versículo 1 é que essa igreja tinha uma abundância de líderes, em geral (“profetas e mestres”) e pelo nome (“Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo”). E já tinham um histórico de sair de sua localidade para ajudar a outras cidades (Atos 11.29-30). Talvez esses líderes tenham percebido o desequilíbrio entre as riquezas do ensino que desfrutavam em Antioquia e a escassez de liderança capacitada em outros lugares. Eles queriam compartilhar sua riqueza.

Então, eles serviam e jejuavam, buscando a direção de Deus naquele momento crítico. Na verdade, estavam dizendo que não se contentariam com seu próprio planejamento e com o que poderiam sonhar sozinhos. Queriam mais do que poderiam pedir ou pensar (Esios 3.20). Queriam direção do Deus todo-poderoso, que torna louca a sabedoria do mundo (I Coríntios 1.20). Queriam a orientação do Deus que guia os exércitos do céu. Queriam conselho daquele que ninguém pode aconselhar (Romanos 11.34).

Em vez de simplesmente criar estratégias com o seu próprio senso comum e dar o próximo passo com as suas próprias forças, eles serviram e jejuaram e esperaram que Deus os direcionasse. Eles abraçaram a ineficiência gloriosa da oração em busca da eficiência celestial.

Ineficiência Terrena, Eficiência Celestial

De uma perspectiva terrena, e especialmente através de olhos modernos, esta parece ser uma maneira ineficiente de liderar. Em vez de seguir a sabedoria convencional, de elaborar planos e agir de acordo, os mestres de Antioquia esperaram em Deus. Esperando em adoração. Esperando em jejum. Esperando em oração. Do ponto de vista humano, estavam perdendo tempo. Como é ineficiente permanecer na oração quando há tanto planejamento e trabalho a fazer!

A menos que Deus esteja no seu trono. A menos que ele nos ouça. A menos que ele se importe. A menos que ele esteja pronto para liderar, guiar e capacitar Sua igreja pelo Espírito, através da ineficiência gloriosa da oração. Em Antioquia, buscaram a direção de Deus e ele respondeu. “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra (missionária) a que os tenho chamado” (Atos 13.2). E a gloriosa ineficiência da oração novamente se mostrou gloriosamente efetiva. Deus mudou o curso da história ao guiá-los.

Por Que os Mestres Lideram a Igreja

O chamado para abraçar a ineficiência gloriosa de oração cai especialmente sobre os líderes da igreja, tal como aconteceu em Antioquia. Cristo conclama seus pastores subalternos a liderarem Sua igreja não da maneira mais eficiente possível, mas com eficiência celestial — o que torna o ensino (ouvir de Deus) e a oração (esperar por ele) não apenas coisas sábias mas essenciais, por mais ineficientes que pareçam.

Esta incumbência, entre outras, torna a igreja fundamentalmente diferente da maioria das outras organizações da sociedade. Deus coloca uma pluralidade de mestres como encarregados de Sua igreja. Não administradores. Não sargentos. Não executivos cintilantes. Ele escolhe mestres — frequentemente idealistas, frequentemente não práticos, frequentemente ineficientes pelos padrões corporativos. Às vezes, são chamados de “presbíteros” (Atos 20.17; Tito 1.5; I Pedro 5.1), “bispos” em outros (Atos 20.28; I ​​Timóteo 3.1; Tito 1.7), e até mesmo “pastores-mestres” (Esios 4.11). E Deus também deu um segundo ofício chamado “diácono” (Filipenses 1.1; I Timóteo 3.8-13) para que homens qualificados ajudem os pastores-mestres, muitas vezes ineficientes, a fazerem as coisas. O principal ofício da igreja, no entanto, são os mestres gloriosamente ineficientes, e não os administradores com experiência prática.

Deus Dá Avanços

Este é o plano de Deus para Sua igreja. Seu chamado para os “profetas e mestres” (Atos 13.1), e para cada membro vivo do seu corpo, é de priorizar a eficácia celestial sobre a eficiência terrena. E a eficácia celestial muitas vezes faz a sabedoria organizacional do mundo parecer louca (I Coríntios 1.18-31). Mas Deus dá à igreja pastores-mestres para se lembrarem, e aos membros da igreja para lembrá-los, de que Deus pode fazer mais em cinco segundos do que poderíamos fazer em cinco anos. Como muito bem disse um pastor veterano:

A vida tem muitas celas de masmorra e paredes de pedra para impedir nossa alegria e frutificação. Algumas delas devem cair em cinco anos. Outras em cinco segundos. Quer seja a persistência paciente para continuar com alegria, ou o avanço em um piscar de olhos, Deus estipulou a oração como chave. (John Piper, “What God Can Do in Five Seconds [O Que Deus Pode Fazer em Cinco Segundos]”).

Isto não justifica deixar de planejar com diligência, de quebrar a cabeça em busca de idéias e estratégias, de nos dedicar a discussões e debates vigorosos, e a trabalhar fielmente. Mas significa que a igreja procede de maneira diferente do mundo. Nós adoramos, jejuamos e oramos. Tal como Moisés, rogamos a Deus: “Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar” (veja Êxodo 33.15). Nós realmente nos levantamos dos nossos joelhos e trabalhamos na força que Deus supre (I Pedro 4.11). Mas primeiro nos certificamos de que estivemos de joelhos.

Traduzido por Mariana Ciocca Alves Passos

Publicado originalmente em DesiringGod.org.

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