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Sete pensamentos sobre Elul: o mês do arrependimento e do perdão.

Por Melida Mindy Ribner

Bem-vindo ao mês da introspecção, ao mês do perdão, ao mês da prestação de
conta espiritual, ao mês do aprofundamento.

1. O Tempo de Elul: uma época de mudança

O mês de Elul sempre começa entre meados de agosto até meados ou final
de setembro. Mesmo que o calor ainda possa ser forte, há uma mudança sutil na
qualidade da luz na chegada deste mês (no hemisrio norte, Elul ocorre ao
término do verão e início do outono). Sentimos que a queda logo estará sobre
nós. Em muitos lugares do mundo, os dias ficarão mais curtos, o ar mais frio e
as folhas mais uma vez se transformarão em belas cores antes de cair no chão.

Veremos diante de nossos próprios olhos a dança cíclica da natureza.
Alguns de nós saudarão essas mudanças com alegria e alguns com pesar; no entanto,
as mudanças naturais ocorrerão. A natureza se voltará para dentro novamente.

À medida que testemunhamos e experimentamos os ciclos inevitáveis ​​da
vida, somos atraídos para dentro, para a consciência dentro de nós que não
muda. Por meio da graça espiritual deste mês, é fácil entrar em contato com o
que há de puro e constante em nós.

2. A letra do Mês: ‘Yud’ (O Ponto Essencial da Humildade)

Na tradição judaica, todo mês tem sua própria letra hebraica. A letra
hebraica para este mês é yud, a menor letra do alfabeto, simplesmente um ponto.
O yud é o ponto essencial e representa a auto nulificação necessária para se
aproximar de D’us.

A primeira letra do Nome Divino é um yud. A primeira letra de Israel, é
um yud, assim como a primeira letra da palavra “judeu” (Yehudi).

Meditar no yud este mês apoia a virada interna para o ponto mais interno
dentro de nós. Vá além das histórias de sua vida para entrar em contato com o
lugar mais íntimo, a alma pura dentro de você. Coloque o yud em sua tela
interna, medite sobre ele, funda-se com ele e deixe-o te ensinar sobre a
humildade.

3. Intimidade com D’us: ‘Ani Ledodi Vedodi Li’

As primeiras letras do verso hebraico, Ani ledodi vidodi li, “Eu sou
do meu amado e o meu amado é meu” (Cântico dos Cânticos 6:3) formam a
palavra “Elul”, significando que existe uma proximidade íntima e amorosa entre
D’us (meu Amado) e Seu povo durante este último mês do calendário judaico.

Elul é o mês de preparação espiritual para as Grandes Festas. O trabalho
interno de responsabilidade espiritual e retorno à verdadeira essência
(conhecido como teshuvah, “arrependimento”) feito durante este mês
afeta nossa capacidade de estar diante de D’us e receber bênçãos para o ano
seguinte.

4. Historicamente: um mês de perdão

Historicamente, Elul é o período de tempo durante o qual Moisés voltou
ao Monte Sinai para implorar perdão pelo pecado do Bezerro de Ouro. Consequentemente,
Elul é o mês para trabalharmos o perdão para nós mesmos e para os outros. À
medida que perdoamos, tornamo-nos abertos para uma revelação divina maior.
Muito já foi escrito sobre os benefícios e a importância do perdão. Por mais
difícil que seja, geralmente é a melhor coisa que podemos fazer por nós mesmos.
Embora o perdão seja uma prática espiritual para o ano inteiro, é um tema
importante neste mês de Elul.

5. Estenda a mão para os outros: substitua a culpa pela compaixão

Durante este mês, você será colocado em contato com pessoas que não via
há algum tempo. Você terá a oportunidade de curar e completar o relacionamento
de uma forma que não era possível antes. Você pode receber telefonemas
inesperados ou pode até mesmo descobrir que está revisitando lugares e
situações que, em um nível consciente, você não teria escolhido fazer. Geralmente
é um bom momento para estender a mão às pessoas e desejar-lhes um ano novo
feliz e saudável.

O perdão não significa que toleramos o comportamento negativo, nem
simplesmente esquecemos ou ignoramos a mágoa, mas podemos e precisamos nos
livrar da raiva. O perdão nos pede para ver além dos limites de nossa
personalidade ou da pessoa que nos feriu. No ato do perdão, substituímos a
culpa pela compaixão e confiamos em nós mesmos e em D’us que crescemos e
continuaremos a crescer com a dor e os desafios que experimentamos.

Podemos então ter uma ideia de como os desafios e dificuldades que
enfrentamos no ano passado apoiaram nosso crescimento. Por mais libertador que
perdoar os outros seja, também é importante amar e perdoar a si mesmo.

6. Um mês de revisão e avaliação

Como último mês do ano, naturalmente nos encontramos revendo e avaliando
as conquistas, desafios e deficiências de todo o ano. É hora de entrar em
contato com a essência do que é importante na vida. Muitos de nós serão levados
a novos níveis de apreciação pelas relações pessoais que nos nutriram neste
último ano e pelos objetivos que fomos capazes de atingir. Outros de nós
estarão mais cientes dos negócios inacabados e dos relacionamentos que precisam
ser curados para que possamos realmente estar abertos para as novidades do ano
que vem.

7. Shofar: Despertando para a mudança

Elul é um momento de “prestação de
conta” espiritual. Para aqueles que tiveram um ano relativamente fácil, pode
ser mais fácil chegar a um acordo com o ano anterior. Aqueles de nós que
tiveram um ano difícil, podemos ficar desanimados, sentir-nos oprimidos por
contratempos e questionar nossa capacidade de mudança real. Saiba que a
decepção é natural neste momento, porque é uma plataforma de lançamento para a
experiência da teshuvá. Não estamos realmente presos; nós apenas pensamos que estamos.
Nós podemos mudar! Podemos nos tornar pessoas mais felizes e melhores.

O shofar é tocado todos os dias em
Elul, exceto durante o Shabat, nas sinagogas para nos acordar – para nos
lembrar que podemos mudar. Este próximo ano pode ser verdadeiramente incrível.
Quando clamamos sinceramente a D’us – quando oramos, quando meditamos, quando
ouvimos o shofar da maneira mais profunda – podemos receber uma graça celestial
única neste mês que abre portas para o mundo interior da beleza e da Divindade
de nossas próprias almas.

Que tenhamos um “Chôdesh Tov” (bom mês)
e que cada um de nós seja abençoado com momentos especiais durante este mês de
Elul.

Autor:

Matheus Zandona Guimarães é descendente de Judeus com origem na Itália e em Portugal. Graduado em Comunicação Social, estudou teologia com ênfase em Estudos Judaicos nos EUA e Hebraico e Cultura Judaica em Jerusalém – Israel. É o atual presidente do Ministério Ensinando de Sião e rabino da Sinagoga Har Tzion em Belo Horizonte. É diretor internacional do Netivyah Bible Instruction Ministry (ISRAEL) e diretor regional da UMJC (Union of Messianic Jewish Congregations) – EUA. Matheus é casado com Tatiane e tem dois lindos filhos, Daniel e Benjamin. (facebook.com/mzandonna, @matheus.zandonna)

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