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Recife teve 63% da chuva prevista para o mês em 24 horas; entenda fenômeno – UOL Confere

Em apenas 24 horas, choveu na cidade do Recife 63% de todo o volume de precipitações previsto para o mês (300 mm). Foram 190 milímetros entre as 6h da sexta-feira (27) até as 6h do sábado (28), segundo a Apac (Agência Pernambucana de Águas e Climas).

No mesmo período, o maior volume foi registrado em Itapissuma, município no litoral norte de Pernambuco, onde os medidores marcaram 317 mm em apenas 24 horas. A cidade também acumulou o maior volume em cinco dias, entre terça (24) e domingo (29): 569 mm.

Para meteorologistas, não é possível confirmar tampouco descartar a influência das mudanças climáticas na intensidade das chuvas. Eles explicam que os temporais foram causados pelo Distúrbio Ondulatório de Leste (leia mais abaixo).

Em Olinda, choveu 202,3 mm entre 6h da terça (24) e 6h da quarta (25). Para se ter ideia do volume, em cada metro quadrado de área da cidade, choveu 202 litros de água em apenas um dia, explicou Fabiano Prestrelo, meteorologista da Apac.

Ao menos 91 pessoas morreram no Grande Recife e cerca de 5.000 pessoas perderam ou tiveram de deixar suas casas em áreas de risco em decorrência das chuvas.

Entre terça e domingo, foram registrados 482 mm de chuva em São Lourenço da Mata, 467 mm no Recife, 462 mm em Jaboatão dos Guararapes, 448 mm em Olinda e 429 mm de chuva em Camaragibe —todos municípios do Grande Recife.

A maior chuva em 24 horas já registrada na região metropolitana do Recife foi em 11 de agosto de 1970, quando os equipamentos marcaram 335,8 mm de queda d’água na capital pernambucana, segundo dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Fenômeno típico para essa época do ano

As fortes chuvas que atingiram o Recife e cidades vizinhas foram provocadas por um sistema climático conhecido como Distúrbio Ondulatório de Leste. Ele tem como uma de suas principais características o deslocamento da massa de ar do oceano Atlântico para o continente.

Ele se movimenta em ondas. “A primeira onda vem trazendo chuvas de moderadas a fortes. O segundo movimento é caracterizado pela ausência ou reduzida precipitação. Na terceira onda, normalmente, podemos esperar chuvas ainda mais intensas”, explicou o meteorologista.

Segundo ele, a primeira onda observada no Distúrbio Ondulatório Leste deste ano foi justamente da última terça para a quarta. Neste momento, o fenômeno está começando a se dissipar.

Embora a previsão seja de continuidade das chuvas nos próximos dias, a expectativa é de que as precipitações aconteçam em intensidade reduzida, com chuvas de moderadas a fracas.

“Mesmo que o fenômeno esteja se dissipando, nós temos que lembrar que estamos em período chuvoso. Então não descartamos que ele volte a ocorrer até a primeira quinzena de agosto”, alerta Fabiano Prestrelo.

O Distúrbio Ondulatório Leste é um fenômeno climático comum no Nordeste brasileiro, que todos os anos traz bastante chuva para a região, entre maio e agosto. Mas a intensidade registrada este ano é atípica, só observada a cada dez a 12 anos, de acordo com a Apac.

Em junho de 2010, exatamente há 12 anos, os litorais pernambucano e alagoano foram duramente atingidos por esse fenômeno, causando 40 mortes e deixando mais de 80 mil desabrigados. Em Pernambuco, as cidades mais afetadas foram Palmares e Barreiros, que se tornaram símbolo na luta pela construção de barragens e diques de escoamento.

Os dois municípios ficaram completamente destruídos, com algumas poucas construções em pé. Na época, Palmares chegou a registrar 180 mm de chuva em menos de 24 horas, o que fez transbordar os rios para até 10 m de altura acima de suas margens.

Em 24 de maio de 1986, em uma coincidência de datas, caiu no Recife 235 mm de chuvas em um dia, quando a cidade registrou a maior cheia de sua história depois que o volume das precipitações começou a ser medido pelas agências de clima.

Mudanças climáticas?

Segundo Fabiano Prestrelo, não dá para afirmar e nem descartar neste momento que as mudanças climáticas influenciaram nas fortes chuvas que atingiram o Grande Recife nos últimos dias.

“Há indícios de que as mudanças climáticas possam estar interferindo nesses fenômenos que atuam no Nordeste, mas ainda está sendo objeto de estudo. Os dados de hoje serão armazenados e comparados com os eventos futuros. No passado, temos poucos registros e não dá para comparar essa evolução”, afirma o meteorologista.

Segundo ele, não há nem como precisar desde quando o Distúrbio Ondulatório Leste atua no Nordeste. A meteorologia prevê, contudo, que entre 2032 e 2034 chuvas com intensidade semelhante podem voltar a atingir a região, se as condições climáticas não mudarem drasticamente.

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