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Preso suspeito de participar de incêndio da estátua de Borba Gato, em São Paulo

Um suspeito de participar do incêndio na estátua do Borba Gato, na zona sul de São Paulo, foi preso na madrugada deste domingo (25). Ele foi identificado como o motorista do caminhão que conduziu parte do grupo de suspeitos até local e transportou os pneus em que foram ateados fogo.

De acordo com a Polícia Civil, a placa do veículo foi adulterada. As investigações prosseguem para identificar e localizar os demais autores.

A estátua de Borba Gato foi incendiada na tarde de sábado (24). Cerca de 20 pessoas atearam fogo em pneus na base do monumento. Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi enviada ao local às 14h06 e o fogo foi extinto rapidamente. Não houve registros de feridos ou qualquer outro incidente.

Um grupo chamado Revolução Peririca postou fotos e vídeo da estátua em chamas, no Instagram. Apesar de não assumirem a autoria do ato, em uma das imagens é possível ver os pneus já pegando fogo com pessoas vestidas de preto e uma faixa com o nome do grupo e a frase: “A favela vai descer e não será Carnaval”.

A reportagem entrou em contato com o grupo, mas até a publicação desta reportagem não houve resposta.

Borba Gato foi um bandeirante paulista que no século 18 caçou indígenas e negros. Atualmente, o papel desses pioneiros na interiorização do país é conhecido e a condição de símbolo do estado é questionada.

Os bandeirantes eram homens que trabalhavam na região sudeste com a exploração de minérios, escravização de indígenas e captura de escravos fugitivos no século 17. São Paulo estava na margem da colônia brasileira; foi, por muito tempo, uma região indígena e jesuítica, e veio a se urbanizar com maior intensidade apenas no final do século 19.

Não eram, contudo, conhecidos como “bandeirantes” durante a época em que atuaram. A historiadora Iris Kantor, professora de historiografia colonial na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), reforça que o termo foi cunhado por historiadores contemporâneos como Affonso Taunay, que dirigiu o Museu Paulista a partir de 1917. Até então, eram conhecidos apenas como “paulistas” ou sertanistas.

Apoio e oposição

Nas redes sociais o incêndio levantou novamente a discussão sobre o papel de Borba Gato na escravidão de índios e negros no Brasil. Enquanto expoentes da esquerda manifestaram apoio, grupos na direita retrataram o caso como terrorismo. 

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) classificou o ato contra a estátua como “ação simbólica importante”. Já o advogado Arthur Weintraub, ex-assessor da Presidência da República, disse que tratava-se de uma ação “terrorista” para “apagar nossa história, e criar o caos”.

O ataque remete a uma onda de protestos contra monumentos a figuras históricas ligadas ao colonialismo e à escravidão, que ganhou força nos Estados Unidos e na Europa em 2020. Diferentes estátuas de Cristóvão Colombo, considerado o descobridor do continente americano, foram depredadas em cidades americanas durante as manifestações antirracistas de 2020. Em Bristol, na Inglaterra, manifestantes jogaram no rio uma escultura do traficante de escravos Edward Colston.

Historicamente, a derrubada de estátuas não é um ato praticado apenas por grupos de esquerda. Isso ocorreu tanto nas manifestações de 2014 na Ucrânia, quando esculturas de Vladimir Lenin foram derrubadas, quanto em 2003 com uma estátua de Saddam Hussein em Kerbala, no Iraque, derrubada pelo exército americano.

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