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Não há anônimos, todos são protagonistas

Um dos mais profundos anseios do cristão é ser útil à obra de Deus, servindo-o em alguma área específica. E há muito o que fazer tanto na igreja (entre os muros do templo), quanto fora!

Quando olhamos para o interior da igreja vemos algumas demandas: zeladoria e manutenção do templo; custeio de utensílios, de bens, de gêneros e de pessoal; ensino das escrituras; cântico e louvor; aconselhamento e apoio aos membros, congregados e visitantes; despertamento e treinamento de habilidades e talentos e outros. De semelhante modo, fora do convívio da igreja, inúmeros são os trabalhos a serem executados: evangelizar em ruas, praças e nos campos; visitar hospitais, prisões, abrigos e casas; acolher os tristes, os emocionalmente abalados, os cansados, os famintos e os desabrigados; apoiar no sustento de obras sociais; orar (sem cessar) por causas de diferentes modalidades e urgências. E aqui está inclusa a participação na obra missionária, na ação de anunciar o plano de Deus em todos os lugares – próximos ou distantes – para cumprir o texto Mateus 24.14: que “este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”.

Uma canção do hinário pentecostal ensina: “Para cada crente, o Mestre preparou / Um trabalho certo, quando o resgatou / O trabalho a que Jesus te chama aqui / Como será feito, se não for por ti?” (Henry Maxwell Wright. Harpa Cristã n.93).  Sim, há espaço e tarefa para cada cristão na seara do Mestre. É um privilégio participar do propósito eterno de Deus na terra, ser seu colaborador. São milhões e milhões de colaboradores: crianças, jovens, adultos e maduros, de todas as faixas etárias, que, dia após dia, doam seu tempo, seus talentos, seus corpos e mentes, enfim, todo o seu ser para o bem do Reino de Deus.

Decerto que conhecemos alguns vultos (do passado ou do presente) que admiramos pelo denodo que se dedicaram ao serviço cristão: Pedro, Paulo, Dorcas, Filemon, Gaio… E, possivelmente, você, leitor, poderia enumerar outros tantos nomes. No entanto, quantos outros nos são incógnitos.

Quando abrirmos a Bíblia no livro de 1 Reis, ficamos encantados com a história do profeta Elias. Ele orou e Deus cerrou os céus e não choveu sobre a terra por 3 anos. No período de estiagem, conhecemos que Deus preparou uma mulher que o sustentou. Não sabemos seu nome, somente que era viúva e morava na cidade fenícia de Sarepta. Continuando nossa incursão pela trajetória de Elias, encontrá-lo-emos no interior de uma caverna, sorumbático, queixando-se que fora ameaçado de morte e que era o único a manter-se fiel. A resposta de Deus é enfática: “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.” (1 Re 19.18) Não conhecemos qualquer um desses dentre os sete mil que se mantiveram fiéis.

Note que para cumprir seu propósito Deus contou com um personagem bem conhecido – Elias – e muitos “anônimos”. Tanto na história bíblica quanto na história que aprendemos nos livros, não conhecemos os nomes (perfis e biografias) de inúmeros sujeitos que constroem os fatos e os eventos, que vão dando significado às experiências e configurando o mundo. Não é retórica afirmar que todos, independente do sexo, da cor, do grupo social, da condição econômica, da adesão político-ideológica, da escolaridade, do saber prático e hábitos; absolutamente, todos são sujeitos históricos relevantes.

O propósito de Deus não foi entravado pela desobediência do povo israelita ou por Elias ter recuado diante do risco de morrer. Deus não contava somente com um sujeito histórico. Ele contava com milhares, ainda que estes não tenham seus nomes registrados no livro: a viúva, os fiéis que não se dobraram aos ídolos. Essa narrativa é esclarecedora da relevância que cada cristão possui na obra missionária. A cada missionário que conhecemos pelo nome, há sete mil outros sujeitos, aparentemente invisíveis, que colaboram para que a missão seja realizada a contento. Deus, por sua soberania, conhece a cada um nominalmente e o trabalho desempenhado não é ignorado.

Junto àqueles que tem destaque nos púlpitos das igrejas; nos espaços editoriais, midiáticos e fonográficos; nos grupos acadêmicos ou litúrgicos; nas instituições e agências de fomento ao serviço cristão, também há os que não possuem relevo nominal ou público. Pode-se afirmar que o trabalho seria inviável, caso não pudesse contar com sua presteza, colaboração e empenho.

Buscar reconhecimento é parte da natureza humana, porém dada as desigualdades a que estamos submetidos, nem sempre é um afã obtido. A limitação humana impede que todos os sujeitos (e seus atos) sejam reconhecidos ou mencionados e ficam como que “à sombra da história”.  Todavia essa invisibilidade e anonimato são ilusórios porque “nada, em toda a criação, está oculto aos olhos de Deus” (Hb 4.13).

A importância dos sujeitos históricos não está na grandiosidade ou repercussão de suas ações. Dantes está no modo como interpreta o mundo e responde às inquietações que se defronta. À medida que interage com outrem, vai construindo a si mesmo e nas relações que estabelece, colabora no processo de fabricação (e transformação) de sua igreja, de sua comunidade, da realidade no seu entorno e, assim, literalmente, faz história que reverbera ao longo do tempo e, por que não, na eternidade. Seja nos campos próximos, nos distantes ou nos remotos, há muitos que precisam ouvir as boas novas de salvação e sua cooperação, caro leitor, é crucial. Por tudo isso, não é redundante enfatizar que na obra de Deus, não há anônimos, todos são protagonistas.

Autora: Sandra Mara 

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